
Ode ao Acrônimo
12/04/2008De qualquer forma, aqui estou de volta e trago mais insights totalmente desnecessários na minha mala amarela do gato Félix. Divirtam-se! ^.^

Dia desses fui numa loja Renner no shopping perto de casa. De repente uma voz exageradamente empolgada surge nos alto-falantes: “Atenção equipe-show Anália Francooo!! CCS do dia: 14!!! Meta do CTH: 32!!!! Atenção colaboradores do QCL: propostas na fila: zeerooo!!!!! Grupo B em 70%!!!!!! Foco na captaçããão!!!!!!!!!!”.
É mesmo uma pena o texto não ter som, porque a empolgação daquele ser é algo indescritível. E certamente as expressões não são exatamente como eu coloquei, mas esse é o mais perto que minha memória chega. Se você nunca ouviu isso, dá uma passada em qualquer loja da rede pra conferir, já que esse comportamento deve ser padrão. E nem vai ter que esperar muito… no período de 25 minutos presenciei pelo menos três vezes o que gosto de chamar de “celebração frenética ao acrônimo”.
Por mais que não saibamos com exatidão o que cada expressão significa, é óbvio que se trata de uma forma de motivação dos funcionários, baseada em pressão psicológica contínua e ameaça velada. Definitivamente não é um método que eu adotaria na minha empresa, mas isso não me incomoda, afinal cada um cuida da sua como achar melhor.
Mas tem algo que aborrece profundamente: o que eu, cliente, tenho a ver com isso tudo que eles falam? Em que momento da minha compra (ou da vida) será útil saber que o “XPTO está em 27%!!!!”? Por quê, a cada dez minutos, tenho que participar da fantasia perturbada de algum funcionário, que realiza homeopaticamente seu sonho de ser radialista cada vez que pega no microfone da loja?
Pode parecer exagero, mas encaro essa atitude como desrespeito ao comprador. É como se nos esfregassem na cara a declaração de “não me interessa se vocês não entendem porcaria nenhuma do que estamos falando. O importante é que os ‘colaboradores’ recebam a chicotada”. Sejamos sinceros, ninguém que eu conheço vai numa Riachuelo, Renner e afins, a não ser que realmente PRECISE de alguma coisa. Ou você acha que loja de departamentos é o cenário ideal para um passeio no sábado? Fora o trauma pessoal de ter perdido horas preciosas de Tartarugas Ninja (o arcade) enquanto esperava minha mãe vasculhar cada cantinho da C&A do Center Norte – o Mestre Yoda dos shoppings paulistanos. O que esperamos é um clima minimamente agradável para melhor suportarmos a árdua tarefa de desperdiçar tempo nesses lugares, enquanto poderíamos estar fazendo bolinhas de sabão, por exemplo. Obviamente essa sensação de conforto não inclui berros indecifráveis enquanto tentamos explicar, delicadamente, pra namorada que aquele modelito não cai muito bem nela.
Tenho plena consciência de que este desabafo não fará nada mudar e também não pretendo enviar sugestões no site do grupo, pois já tentei isso com outras empresas do mesmo porte, em situações semelhantes, e sei que, na grande maioria dos casos, um programinha muito simpático responde polidamente, depois imprime meu recado, faz um aviãozinho, joga na nuca do primeiro careca que passar e gargalha com sua voz de sintetizador.
Entretanto, cada vez me sinto menos motivado a entrar na loja e, pouco a pouco, passarei a optar por qualquer concorrente quando precisar de algo. E talvez eu não seja o único paranóico a fazer isso. E talvez eles percam mais e mais clientes devido ao inconsciente coletivo. E talvez a Renner declare falência por causa dessa atitude fascista porcamente camuflada. E talvez eles me processem por ter deflagrado a revolução. E talvez, pra não pagar, eu fuja e eles mandem um matador me procurar na Nicarágua. E talvez ele me encontre. E talvez eu tenha que fugir desesperadamente, procurando por uma loja para trocar de roupas e despistar o mercenário. E talvez eu pergunte para um senhor onde tem uma loja e ele diga: “a única por aqui era a Renner, mas fechou”. E talvez, então, não seja uma boa idéia postar este texto no blog.
Talvez…
Mas agora já foi. =)
Atualmente o PH está
Jogando: Pokémon Diamond (DS) (70 horas! uhuu!)
Ouvindo: OST do Burnout 3
Vendo: Pokémon (primeira temporada)
Querendo: ver Jumper no cinema
Pensando: “Renda-se agora, ou prepare-se para lutar!”
Que desagradável…
Só imagino se essa pessoa no microfone fosse alguém de voz gutural que todos conhecemos… Ele mesmo.
“Ô Pieiti, meu filho!” e então ouviríamos uma pancada no microfone, já que não haveria ninguém próximo pra ele dar seu famoso cutucão.
Minha primeira reclamação era pelo fato de o post de estréia não ser da SEGA.
Agora vai a minha segunda: por que ainda não foi criada a categoria “Lixo do Mundo”?