
Little Big Mess
24/10/2008Como todos os dois que devem ler este post já sabem, o jogo Little Big Planet teve o lançamento adiado em mais ou menos uma semana, por causa da letra de uma música que continha trechos de algum documento sagrado da Somália… Desde que li sobre isso, não consigo parar de pensar nas conseqüências (ainda com trema) desse tipo de atitude.

A Media Molecule, produtora do LBP, diz que retirou a música por considerar “importante que o jogo seja agradável e divertido para todos”, mas qualquer um que conhece minimamente o mercado de games sabe que nenhuma declaração oficial pode ser levada muito a sério. Ou você acha que eles destruiriam 1,2 milhões de cópias, prontas para serem distribuídas, que custaram um total de 5 milhões de dólares, só pra agradar os 10, talvez 15 jogadores somalianos? É óbvio que a ação ocorreu por puro e simples medo de represálias públicas e processos – que certamente custariam muito mais caro que refazer os discos. Não os culpo; no lugar deles, com uma Sony dando suporte financeiro, eu faria o mesmo. No entanto, o que me incomoda não é esse papo-furado de Relações Públicas (que já estamos mais que acostumados), mas sim o fato deles darem tamanha importância para algo tão pequeno.
Ora, Little Big Planet é basicamente um playground criativo que permite a geração de conteúdo pelos próprios usuários, incluindo games, animações, músicas e até pedidos de casamento. Com todas as ferramentas disponíveis as possibilidades se tornam infinitas e é exatamente este o meu ponto. Não faz o menor sentido você ficar preocupado com a repercussão de uma canção que ninguém entenderia, e muito menos saberia a origem, quando o mundo online do seu jogo está recheado de fases com pênis-gigantes-voadores já no período de beta.
Kyle Shubel, produtor executivo de LBP, falou especificamente sobre a questão das partes íntimas em uma entrevista e se esquivou com a desculpa de que os próprios usuários poderão denunciar conteúdo que considerarem abusivo. Quero só ver o que acontecerá quando algo não for denunciado e uma mãe acabar vendo a filhinha de 12 anos saltitando alegremente sua Sackgirl sobre uma estrutura que forma a palavra FUCK, enquanto desvia de monstros-vagina que tentam atacá-la.
Se isso não bastasse, ainda há o problema de uso indevido de marcas e material multimídia, como dos seriados Lost e Heroes. O que a MM e a Sony pretendem fazer quanto a isso? Uma caça-às-bruxas infindável e ineficiente como tenta o Youtube? Ou acreditam que os estúdios de televisão serão mais legais e compreensivos que os religiosos somalianos? Seria quase tão ingênuo quanto o garoto que queria imprimir a Internet.
É claro que tudo será justificado com um “mas não fomos nós que fizemos isso, é conteúdo gerado pelos jogadores”… Por acaso a mãe da garotinha de 12 anos, ou qualquer outra pessoa do público geral (incluindo a imprensa não especializada) faz idéia do que significam as expressões “comunidade-participativa” e “ambiente-colaborativo” no universo da Internet? Duvido. O que interessa para os caçadores de sensacionalismo é que o joguinho tem ‘cenas de sexo explícito’ e permite que os participantes ’simulem explosões em uma escola’, e dar tanta atenção para a tal musiquinha certamente estimula essa gente a encontrar pêlo em ovo. Ainda mais depois que o medieval – e comportado – Oblivion teve a venda restrita ao público mais velho por causa de um mod criado por usuários, tudo me parece possível.
Acredita-se que LBP passará facilmente do milhão de usuários já no primeiro mês de vendas… Como bem observou Tycho, do Penny-Arcade, se a Media Molecule acha que consegue vigiar de forma eficaz todo o conteúdo gerado, “have fun with that”.
Jack Thompson agradece.
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E só pra não deixar passar em branco, eu soube que a E3 vai voltar a ser como nos bons tempos, com feira de stands e tudo mais. Chega daquela bobagem dos últimos dois anos, com conferências acontecendo ao mesmo tempo e em locais distantes.
Ao contrário do que a boataria afirmava, o evento continuará com acesso restrito apenas à imprensa especializada e pessoas que trabalhem no mercado de games em geral (não que seja muito difícil enrolar a organização usando seu blog, ou o do amigo para justificar a participação).
Anote na agendinha da Hello Kitty: junho de 2009, no Los Angeles Convention Center.
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Atualmente o PH está
Jogando: Mega Man 9 (Wii)
Ouvindo: Idobi Radio (uma rádio online de rock alternativo)
Vendo: a segunda temporada de House
Querendo: terminar um ppt infinito
Pensando: demais e agindo de menos…
Uma reflexão pertinente que só desvela o que realmente foi toda essa história da música ofensiva e tal: um descuido ingênuo e bobo e uma das manobras de RP mais caras da história dos games.
Quanto às E3, fico feliz: ano que vem pretendo ir nela de qualquer maneira!
:D
“Quanto às E3, fico feliz: ano que vem pretendo ir nela de qualquer maneira!
:D”
Conte comigo! A grana já está sendo guardada.